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quinta-feira, 10 de setembro de 2015
Monóxido de Carbono Azul
Se eu te falar que as fotos que estavam nos porta retratos na minha sala começaram a respirar e tiraram todo o ar do meu apartamento e me fizeram sufocar, você me colocaria em uma camisa de força?
Monóxido de Carbono.
E se eu te contasse sobre a horrenda batalha que eu vi entre os guardas e as minhas palavras, você me ajudaria a construir os muros novamente?
Você sabe que na verdade as pessoas não sorriem? Para mim todos os rostos estão estampados de azul, a cor de um planeta muito mais longe do que este que habitamos. Mais longe para eu chegar, assim, caindo de lugar algum.
Desta vez eu falo a verdade quando digo que parece que estou sentada em uma cadeira de espinhos e deitada em uma cama de prego, que cada movimento parece questão de viver ou morrer. E cada segundo parece ser mais inevitável a escolha de ter uma escolha.
Você acreditaria se eu te falasse que o batom vermelho nos meus lábios não passa se sangue que escorreu do meu coração enquanto todos o partiam em mil pedaços? Ou ele deveria ser azul em reflexo das veias mal nutridas que correm pela minha pele?
Posso agora escolher outra batalha para lutar? Outras pessoas para ligar? Outros tijolos para colocar os meus bolsos e chorar por ter que carregar tanto peso? Ou outras lágrimas para chorar já que essas deixaram de ser salgadas há muito tempo.
Ninguém quer parar; ninguém quer lábios e veias e humanos azuis.
Mas dessa vez amor eu não vou me recuperar. Tenho medo da minha casa, não me lembro de quem são meus pais.
É tudo tão azul. Tão Monóxido de Carbono. Tão Azul...
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