Eu só penso em você. O que escrever sobre isso?
Eu sempre quis você.
Mas eu não podia ser aquilo que você tinha expectativas que eu fosse. Eu, do meu jeito, nunca correspondi as expectativas das pessoas e, quando todos confiavam que eu fosse fazer alguma coisa, eu deseja o oposto. Quando parecia que eu decidia seguir por uma estrada, eu mudava o curso, fazia uma barragem no rio, cruzava algum lugar que ninguém teve coragem ainda de seguir. Eu sempre fui contra a correnteza. Por que? Creio que meu mister é tentar descobrir, até o final da vida, a resposta disso. Pelo simples prazer de ser assim? Para sentir algo? Por ser diferente, ou querer ser diferente?
Talvez um dia, daqui um tempo, eu decida o que eu realmente queira. Eu aposte em algo e foque naquilo, eu olhe para um lugar, me apaixone, compre um terreno e faça uma casa lá. Talvez algum dia eu possa tomar decisões rápidas, eu me decida se gosto mais de pizza ou de hambúrguer, se eu gosto de beber cerveja ou suco de uva, se eu prefiro ficar em casa vendo um filme ou ir a um bar com os amigos, se eu prefiro cinema ou teatro, serra ou campo, cidade grande ou pequena. Mas, por enquanto, meu amor, eu não posso.
Eu sempre quis você. Sempre quis poder olhar para seus olhos, sentir seus braços na minha cintura, pender minha cabeça para baixo e gritar para o mundo inteiro que eu não gostaria de estar em nenhum lugar que não fosse aquele. Queria que você corresse esse mundo comigo, com essa vontade tremenda de viver e de não poder esperar o próximo dia. Sempre quis que fosse sua voz a primeira que eu ouvisse de manhã, o resmungo diário por estar atrasada, o sorriso cansado todas as noites e a risada de deboche quando eu estivesse errada. Que fossem seus braços que me segurassem quando eu estivesse pronta a desmoronar e seus lábios que secassem as lágrimas salgadas que eu hei de derramar quando tudo der errado novamente. Mas você não pode ser nada disso agora.
Ah, como eu queria! Como eu queria poder ser tudo o que eu quero ser agora, já, nesse momento! Como eu queria passar na sua casa, gritar seu nome e dizer que eu sempre quis você. Que sempre foi você. Como eu queria ser a dona do meu destino, da minha casa, da minha vida e das minhas escolhas. Como eu queria ser aquela que está com as pessoas que ama nessa terça-feira chuvosa de setembro. Como eu queria não ser aquela menina sozinha naquele apartamento gigantesco sem ter quem dizer "boa noite". Como eu queria ser a mulher da minha, da sua, das nossas vidas.
Mas eu não posso ser isso agora, meu amor. Eu queria tanto, mas acho que não tenho forças o suficiente para admitir que eu quero você. Que sempre foi você. Eu ainda não decidi meu sabor de sorvete favorito, mas continua sendo você. E tudo o que eu mais quero é me decidir se eu quero ser a certinha que dará rumo a sua vida, ou o furacão que vai passar e mudar seu mundo.
O que você quer que eu seja agora?
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