Você sabe, meu bem, como eu me sinto agora?
Aposto que pensaste que eu estou triste, ou com saudades, ou angustiada com
essa vida que ando vivendo, ou desapontada com as escolhas que fizestes e com
os caminhos que seguistes sem mim. Nada disso. Não, é muito mais do que isso. É
algo mais complexo, sentimentos mais difíceis de serem explicados e entendidos.
Por ser eu, por ser você, por sermos nós, claro que não seria algo fácil assim.
Tristeza? Comum demais, simplória demais para nós dois. Não sei se existe alguma
palavra em especial para descrever o que eu sinto, o que estou sentido agora,
então colocarei tal sentimento em uma frase muito bem articulada:
Sinto-me como uma criança: é minha vez de jogar, mas meu irmão mais
velho não me deixa tentar.
Não estou
dizendo “sim”, meu bem, mas também não estou dizendo “não”. Estou pedindo,
pedindo porque as melhoras respostas surgem das melhores perguntas.
Pedir-lhe-ei agora, com toda a coragem, que existe no meu ser: Por que não?
Deveria
fazer como a maior parcela da população faz? Encontrar culpados? Culpar-me,
culpar-te, culpas as razoes, as circunstâncias, o tempo, os céus. Culpar Deus?
Isso é o que a maior parte faz, mas, meu bem, não sou parte da maior parte. Se
fosse não teria se apaixonado por mim. Se bem que encontrar um culpado é tão
reconfortante para a alma e para a cabeça. Então... Por que não?
Devo entrar em uma bolha e nunca mais ter
contato com nada que me lembre de você? Atravessar ruas quando estiver passando
por uma farmácia, a fim de evitar o cheiro do seu desodorante? Evitar a cor
vermelha e os jogos de vídeo games?
Por que não?
Apaixonar-me novamente? Recusar-me a amar
alguém que não fosse extremamente parecido contigo em todos os aspectos?
Chorar?
Festejar? Beber? Rezar?
Por que
não? Por que não, meu amado, por que não?
Agora é
minha vez de jogar, mas meu irmão mais velho não me deixa tentar. Por que não?
Eu sei as regras de cor.
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