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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Slogans de cabeleireiro, mulheres do Boticário, formas e cores dos sons

Certa noite, ainda criança, acordei como se os deuses das letras e das rimas tivessem me mandado uma mensagem em sonhos avisando-me para ser meticulosa com cada palavra que escrevesse e cuidadosa com cada sussurro que suspirassem no ouvido do meu coração. Parecia um bom conselho, algo de incrível uso e de pratica louvável, afinal, nos dias de hoje e no mundo corrido do capitalismo selvagem, quem anda por ai prestando atenção nos slogans de salões de beleza? Quem presta atenção nas formas e cores dos sons?
  Então, meu amor, foi assim que eu vivi os quase 17 anos da minha vida. No que se diz a respeito de escrita, fiz, refiz, li, reli, apaguei, rabisquei e não publiquei mais da metade dos meus textos. Afinal, minha incumbência aqui na terra era de ter todos os textos no mais perfeito estado. Além das concordâncias verbais e nominais, o sentimento tinha que concordar com a pessoa. Isso, creio eu, é a coisa mais difícil de fazer. Concordar verbo com substantivo é relativamente fácil depois que você aprende, mas quem ensina concordar verbo com o coração?
   Sem falar que nunca deixei ninguém se aproximar mais do que deveria do mundo que eu, meticulosamente, fiz e calculei. Isso é errado, estranho, alem do mais, não combinava comigo. Sentir o cheiro de outras pessoas nas minhas roupas? Não! Onde já se viu coisa mais estapafúrdia do que essa?
  Até que você, em meio a um saco gigantesco de pão e de rótulos de cerveja, apareceu na minha vida e mudou toda a realidade de um mundo conturbado e... digamos... errado. Quem era você antes de mim? A mesma pessoa que é agora. Quem era eu antes de você? Uma poetisa com as rimas perfeitas, mas com os pés muito bem firmados no chão. Sei que no inicio tentava prega-los quando via que eu podia voar muito alto, mas agora sinto que voa comigo.
  Aquele maldito sonho que mudou a minha vida? O sonho que me ensinou a encarar a vida como um negocio, uma carreira, um maldito contrato assinado por duas pessoas de total desconhecimento? Amor da minha vida, nem eu mesmo sei de onde ele veio e para onde foi. Não sonho mais com essas incumbências divinas, sonho com seus olhos castanhos e seus cabelos negros. E seu lábios, os labirintos que os meus insistem em se perder.

 E voltei a prestar atenção nos slogans de cabeleireiro, nas fotos das mulheres bonitas do Boticário e nas formas e nas cores dos sons.

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