"O que que a vida vai fazer de mim?" -Chico Buarque
Deveria não ter dito algo que eu sabia que não deveria ser anunciado. Deveria ter guardado todo esse sentimento ardente dentro do meu coração. Usado a cabeça, pensado antes, pelo menos uma vez na minha vida.
E pior, meu amor, do que o silêncio que veio depois foi o abraço que me deste logo em seguida. Posso culpar-te por isso, meu bem? Não vou conseguir assumir a culpa por isso. Não por isso, não novamente.
Ver-te ir embora da primeira vez que partiste, vez esta que fiquei parada na porta sem saber se entrava ou se saia, acabou com o meu coração. Não sabia se entrava em casa e enfrentava o mundo que tinha de ser enfrentado. Não sabia se poderia apaixonar-me novamente ou, pior, se conseguiria fazê-lo. Mas, ao mesmo tempo, não sabia se virava de costas e saia correndo. E, se fizesse isso, correria para onde? Para baixo de uma mesa qualquer, para alguma esquina escura, para a sua casa para saber o porquê de ter me abandonado a troco de nada e sem nada a dizer?
Não o fiz. Entrei em casa e fingi que estava tudo bem. Mas também não me apaixonei por ninguém. Nunca mais consegui sentir por qualquer outro alguém o que eu sentia por ti. Nunca mais consegui ser a pessoa que eu era quando estava contigo.
E, por dias e horas a fio, sentia sua ausência a cada esquina que eu virava. Onde estaria? Com quem estaria? Pensava em mim com alguma frequência?
E então a vida me deu mais um chance.
Como se fossemos feitos para ficarmos juntos.
E eu, sim, admito agora que a culpa é oda minha, insisto em nos separar. Eu e meu coração muito maior do que a minha cabeça.
Não posso te ver partir novamente, meu bem. Perder-te-ei mais uma vez? Se isso acontecer... NÃO! Quando isso acontecer o que será de mim?
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