Sentir. Em um mundo onde se "faz" sentir é quase clichê, um termo ousado usado em poesias nos guardanapos. No mundo dos carnavais, dos pagodes e das baladas noturnas, no mundo dos comerciais de pasta de dente, de Johnny Walker e de perfumes franceses com moças lindas fazendo poses sexy, é quase que mascarado que temos a obrigação de sempre estarmos sorrindo, e fazendo sorrir quem está próximo de nós. Fazer sorrir nós mesmos.
E sentir?
Quem sente?
E quem sente algo além de excitação, felicidade absurda ou ápice do prazer? Quem se sente mal, triste de vez em quando? Quem é forte o suficiente para admitir que sente tudo isso?
Tristeza parece praga, peste do seculo XV, epidemia de AIDS. Claro, ok, tristeza não faz, de fato, bem para a saúde, mas faz de você humano, te faz sentir algo, mesmo que seja algo que não é tão bom assim. E sentir faz toda a diferença. Sentir não ganha diplomas, prêmios e promoções e ficar triste, menos ainda. Mas do sentir sai algo muito melhor do que um papel que se pendura na parede, sai algo que nos revitaliza e nos torna o melhor que podemos ser.
Chorar não é triste.
Não é triste estar triste.
Triste é não sentir.
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