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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Comerciais de Pasta de Dente

  A tristeza é mal vinda atualmente. No mundo em que um sorriso compra um carro, empresta dinheiro e vende sexo fica muito difícil para as pessoas que costumam não sorrir. Ou que um dia, por um equívoco das forças universais, resolveram tomar as dores do mundo, do próximo ou de si mesmas.
  Sentir. Em um mundo onde se "faz" sentir é quase clichê, um termo ousado usado em poesias nos guardanapos. No mundo dos carnavais, dos pagodes e das baladas noturnas, no mundo dos comerciais de pasta de dente, de Johnny Walker e de perfumes franceses com moças lindas fazendo poses sexy, é quase que mascarado que temos a obrigação de sempre estarmos sorrindo, e fazendo sorrir quem está próximo de nós. Fazer sorrir nós mesmos.
  E sentir?
  Quem sente? 
  E quem sente algo além de excitação, felicidade absurda ou ápice do prazer? Quem se sente mal, triste de vez em quando? Quem é forte o suficiente para admitir que sente tudo isso? 
  Tristeza parece praga, peste do seculo XV, epidemia de AIDS. Claro, ok, tristeza não faz, de fato, bem para a saúde, mas faz de você humano, te faz sentir algo, mesmo que seja algo que não é tão bom assim. E sentir faz toda a diferença. Sentir não ganha diplomas, prêmios e promoções e ficar triste, menos ainda. Mas do sentir sai algo muito melhor do que um papel que se pendura na parede, sai algo que nos revitaliza e nos torna o melhor que podemos ser.
  Chorar não é triste.
  Não é triste estar triste.
  Triste é não sentir.
  

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