Meu amor, eu não consigo mais escrever. Agora mesmo eu fiquei olhando para esse folha em branco e para a ponta da caneta e pensando. Pensando sobre o que escreveria e rabiscando tudo o que já tinha escrito.
Depois que você foi embora eu sofri como nunca na vida e desse sofrimento saíram os melhores textos que eu já tinha escrito em 16 anos de existência. Textos que falavam do quanto eu sentia a tua falta mas que, no final, eram fofos com uma mescla de ironia. Perfeitos.
Mas depois eu percebi que nunca ficaríamos juntos. Depois de um tempo eu vi que não adiantava mais esperar o dia que você chegasse e jogasse pedras na minha janela, até que eu aparecesse, e falasse, com toda a convicção que lhe foi dada pelas energias do universo, que eu sou a única para você e o amor da tua vida.
E para mim o fim de qualquer esperança foi a dúvida que eu sentida se abriria, ou não, a janela e ouviria as tuas declarações românticas enquanto você estivesse na rua jogando pedras ou bigornas em mim. Talvez ela continuasse fechada. Talvez as bigornas não fossem tão pesadas assim a ponto de quebrar o vidro.
Pensei que doeria ver que você não era mais meu, e que o eu não era mais você. Que nós não éramos mais nós. Mas não, não doeu. Acho que eu já sabia que você estava do lado de fora da porta, mas eu tinha medo de fecha-la. Ou não conseguia. Tinha uma bigorna no meio do caminho.
Mesmo assim, ainda é ruim. É terrível não sentir nada porque quando você sente algo, da alegria até a melancolia, significa que você tem um coração. Tenho medo que a parte tua que morava em mim tenha se partido em mil pedaços, e o pior: sem deixar nenhuma cicatriz.
A parte irônica dos meus textos vem agora: eu tenho saudades, meu bem! Mas não de você, e sim, dos meus versos e das cicatrizes do meu coração.
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