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domingo, 21 de julho de 2013

Telefonemas

  Desligarei o telefone se você atender, mas se não atendesse, eu falaria algo e engasgaria com tanto sentimento entalado na boca do estômago. Falaria algo para as paredes descascadas que, nos últimos tempos, apesar de úmidas e geladas, escutam-me com atenção e nunca fazem perguntas ou julgamentos.
  Meu amor, posso recomeçar? Obrigada, agora diga-me: como posso recomeçar?
  A minha motivação diária é saber que, mesmo que o tempo venha e tire toda essa dor, minhas lembranças continuarão intactas, assim eu posso ouvir sua voz e ver seu rosto toda a vez que eu tiver medo e sentir seus sussurros no meu ouvido toda a vez que eu estiver parada em uma encruzilhada, sem saber qual caminho devo seguir.
  Esquecer-te é como tentar esquecer minha música favorita: eu até poderia, mas ainda continuaria sentindo a batida e acompanharia o ritmo facilmente se fosse necessário.
  Meu bem, dizer-te-ei que te quero agora, mas, se perguntarem, negar-te-ei que te amo. Tudo bem assim para você?
  Já que passei metade da minha vida lutando contra os telefonemas, e foi tão fácil, posso muito bem mentir sobre que circunstâncias que aceleram os meus batimentos cardíacos.
  Ligue-me, meu amor, mande-me uma carta dizendo que me ama também e que não tardará a chegar. Está ficando frio, a geada está a caminho, e seria muito bom ter você do meu lado nesta noite fria de julho.
  Mas não atenda meus telefonemas, deixe cair na caixa postal e encontre-me em qualquer lugar.
Não me ligue, porque não atenderei. Basta você pensar em mim, em você eu pensarei.

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