Você está se escondendo entre vidros sujos, carros limpos e garrafas vazias.
Você beija as garotas lindas, e se despede delas com abraços frouxos sabendo que nunca mais as verá. Não vou dizer que faz chorar essas pequenas, porque, no final das historias, elas buscam as mesmas coisas que você: nada, nenhum sentimento.
Você faz tudo isso achando que transforma coisas fofas e gentis em atos ilícitos e vulgares, como se não precisasse de ninguém do seu lado quando estiver triste ou doente. Faz de sangrias coaguladas as tuas lágrimas, fingindo assim que não sofre por ninguém e que não ama também, afinal de contas, uma imagem falsa é tudo na vida.
Não te culpo por guardar rancor, culpo-te por querer tirar a vida dos meus dias, e culpo-te pelas malditas reticências que você coloca, ironicamente, nas suas frases para não responder as minhas perguntas encobertas de dúvidas sobre o que você anda fazendo da sua vidinha medíocre.
Culpo-te por jogar na minha cara toda a hora, e hei de ser forte o suficiente para pedir o porque disso tudo algum dia, que eu não estava lá para segurar a tua mão quando você pediu, como eu sempre disse que estaria. Como eu disse quando fugi correndo dos seus abraços, para cair nos braços vazios e frouxos do destino. Meu bem, dizer-te-ei com toda a convicção, de que os abraços do destino se assemelham muito aos seus.
Mas, meu amor, se eu quebrar... Não, quando eu quebrar, vou estar gelada como as estátuas daquela igreja na esquina do seu bairro, e ainda sim você sentirá meu coração bater mais rápido quando chegar mais perto de mim.
Pois bem...
Eu não fui ao teu encontro quando você me chamou, meu amor, porque eu já estava ai há muito tempo. E você não viu. Não valeria a pena dar-te a mão, porque dar a mão quando alguém precisa é o sinal mais obvio e alarmante de amor. E não vale a pena amar-te assim, porque é como amar alguém que já esta morto e gelado. Só que, diferentemente de mim, o teu coração não bate mais rápido na presença de quem se ama.
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