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domingo, 9 de junho de 2013

As cores das tempestades daquele inverno chuvoso

  Um tópico. Entre tantos tópicos que existem no mundo para serem escritos ele disse: Arrependimento. Encheu a boca quando falou isso, dando a transparecer que, mesmo que esse seja o pior sentimento humano existente, pior, creio eu, que a tristeza ou o medo, ele gostava de se sentir arrependido por coisas que fez. Ou que não fez. Ou que disse, ou que omitiu.
  Lembra daquela  noite que o frio começou a castigar a pequena cidade em que eles moravam, que a chuva era uma amiga quase constante? Não? Não lembra-se que as casas amanheciam caiadas de branco e que a água era tão gelada que parecia que iria congelar ao mínimo toque? Não? Eu lembro.
  Foi um inverno colorido aquele. 
  Eu sei, estranho começar um texto com arrependimento e, poucas palavras depois, falar de como as cores estavam vibrantes naquele inverno. Perceberá, porém, que estão interligados tais tópicos.
  Aquelas cores bailam na minha lembrança toda a noite em que deito minha cabeça no travesseiro. Eu, na época, não havia reparado o quão laranja eram as folhas das árvores perto de casa, o quão branco era o dia e o quão azul era a cor do céu perto do meio dia. Não reparava o quão cinza eram as nuvens indicando que a chuva iria cair. Não havia reparado o quão rosa eram as fitas de cabelos das meninas que passaram por nós naquela tarde e a quantidade de cores escondidas atrás dos seus olhos castanhos.
  Renato Russo já disse que a tempestade que viria seria da cor dos seus olhos castanhos. E veio.
  Aaaah! Pelos céus que hoje insistem em ficar azul mórbido, se eu tivesse te dito que amava o jeito que você ria da minha cara a cada piada sem graça que eu fazia sobre sua ex-namorada, talvez o inverno atual seria ainda mais colorido. Talvez eu ainda teria você do meu lado dizendo-me que meu cabelo está ridículo tão curto e que cada dia que eu acordo, acordo mais mal humorada. Talvez me daria um motivo pra seguir em frente todo o dia, quando a vida insiste em me jogar pedras e mais pedras. Seria um rosto seguro na multidão de pessoas desconhecidas que não fazem nada senão rir e apontar os nossos defeitos, usando-os contra nós mesmos.
  Aaaah, se arrependimento matasse. O problema, meu bem, é que ele mata. Mas daquele jeito tenebroso. Vai matando aos poucos, tirando a vida e a alegria dos seus dias até você não ter mais nada exceto dor e tristeza. O arrependimento é primo-irmão da solidão. 
  E ele gosta de ir tirando as cores. Tornando tudo cinza, da cor das nuvens daquele inverno. A diferença é que não chove. Faz dias que não chove mais, mas também não faz sol.

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