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quarta-feira, 29 de maio de 2013

A ironia de nós dois

  Eu queria escrever. Desde ontem eu queria escrever, mas rabiscava e rabiscava tudo o que escrevia. Mamae disse que nao posso jogar fora o que eu escrevo, que ate o que eu faco errado eu faco, por algum motivo, certo.
  Mas eu nao gostava, cada palavra fria que eu escrevia se tornava uma pedra no meu coracao. Primeiro porque palavras frias nunca foram o meu forte e sentia que quanto mais eu as escrevia mais eu me afastava de mim. E segundo: eu nao posso escrever algo que remeta a voce, pois voce vai pensar que estou forcando alguma coisa, que eu te quero desesperadamente. Mas se voce soubesse o que eu vejo em voce, saberia porque te quero tanto e sempre.
   Entao resolvi jogar tudo fora. Gente que foi embora e deixou, por alguma inconveniencia, um perfume ou uma rosa seca. Ou algum sentimento, tais sentimentos variavam e iam do amor eterno ao odio extremo. Mas isso nao funcionou.
  Meu psicologo disse que eu preciso escrever quando alguma coisa da errado. Que a escrita eh meu porto seguro e eu disse pra ele que isso nao seria possivel. Voce eh meu porto seguro, e eu nao posso escrever sobre voce, voce vai ler e vai me achar idiota. Novamente. Voce sempre me acha idiota, e falou isso tantas vezes que acabei acreditando.
  Entao ele me disse o que fez toda a diferenca na minha vida: "Voce eh uma idiota que escreve. Eh o que voce sabe fazer. Atinja-o com suas palavras, e faca que elas seja o seu porto seguro e nao ele." O que fez sentido, porque com um porto seguro daqueles eu veria meu barco afundar em alto mar. Ou pior: afundar na beira do mar mesmo.
  "Veja as coisas como elas realmente sao." Mas a realidade nao tem graca apartir do momento que eu vejo que o mundo que estou vivendo nao eh o mundo que eu gostaria de viver. E sabe qual eh a realidade desse mundo? Do meu mundo? Do nosso mundo?
  A realidade do nosso mundo se baseia na ironia de nós dois: eu preciso de voce e voce precisa de mim. Mas para que percebessemos isso tivemos que viver o mundo. E agora vem a parte ironica: para viver o mundo precisamos ficar separados.
  

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