Agora você parece tão duro quanto concreto, determinado a ser quem não esperamos que sejas, sentando na contramão da BR101 esperando pegar carona com um caminhão qualquer e ir para lugar nenhum. E eu estou aqui, parada na sua frente, por conta própria, completamente sozinha, sentindo minha pele gelar com o frio congelante do seu coração e meu rosto arder com o vácuo dos seus olhos.
Pode esperar o próximo feriado que ela estará lá, apoiada no muro da sua casa, com os cabelos rebeldes voando por causa do vento, de mini saia e coturno, com o olhar perdido em algum ponto não existente que ela inventou para não ficar chorando pelas coisas que se passaram, com um cigarro na boca. Quando você a vir ela irá dará aquele sorriso torto que balança suas pernas e saberás que só ignorar o sentimento não será mais o suficiente. E ela estará ouvindo Bob Dylan, esperando a resposta que está soprada no vento.
Assim (re)começa a história do furacão que passou pela sua vida. Com quem você gostaria de estar agora? Sentado numa sala de estar fria, assistindo o mesmo filme pela décima quinta vez, vivendo algo muito maior ao lado de alguém realmente importante para você?
Viver um sábado sem saber o que será o domingo. Pode ser algo que mude a rotação dos planetas, o eixo terrestre, a data do solstício e do equinócio do próximo ano. Ou será apenas um domingo ao som de Bob Dylan.
Não me venha com aquele papo de boteco com todo o seu jeito de "Cuidado,
Boneca, se pensar alto demais não vai ter ninguém para te segurar.".
Agora lhe digo, amor, quando não tem nada a perder não deve se ter medo
de ganhar. Pode começar a procurar outra pessoa a quem culpar.
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