Os poetas que tanto admiro afirmavam que quando
os seus sonetos não terminavam do jeito que queriam recebiam a permissão divina
de fazer mais uma estrofe para uma finalização digna de suas obras. As emendas,
porem, muitas vezes não correspondiam as suas expectativas, surgindo daí o
ditado “ficou pior a emenda do que o soneto.”.
Estou escrevendo essas linhas em resposta aos
meus textos anteriores. Os finais, penso eu, agora, enquanto avalio cada
palavra torta que escrevi, ficaram tão evasivos que nem pareciam finais. Mas,
posso culpar-me? Eu não sabia que final levaria nossa agridoce historia de
amor, poderia ser com um final feliz, mas poderia ser com um final trágico. Nem
toda a tragédia termina com morte, é importante ressaltar isso também. Às vezes
a única coisa que morre são nossos sonhos e esperanças de um futuro melhor, de
um milagre se por assim podemos chamar.
Meus
finais não ficaram bons, nosso final ficou pior ainda.
Então, quando comecei a escrever esse final
alternativo para meus textos e nossas historias meu intuito era provar, por orações
coordenadas e vírgulas bem pontuadas, que eu não te amava mais, que eu nunca te
amei e que, alem de deixar meus joelhos bambos e minhas bochechas vermelhas, você
não fez mais nada por mim.
Era uma boa ideia. Depois, porem, fui vendo o
quão boba e infantil eu parecia fazendo isso. Mentido para mim mesma em meus próprios
textos. Como se fosse necessário escrever mentiras. Muitos meninos vieram a
encontrar-me com o único mister de fazer minhas mãos suarem. E você, afirmo
claramente para quem quiser ouvir (ate mesmo se quiseres ouvir), certamente não
foi um deles.
Esse era para ser um bom final, um final
genial e digno de publicação. Digno de polemica, indignações e repressões. Mas
nada disso aconteceu e nem ira acontecer. Não foi digno de nada disso, nem sei
se final foi. Finalizei como os textos anteriores, dizendo o quão importante você
foi para minha sublime existência.
Já diriam os poetas “ficou pior a emenda do
que o soneto.”.
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