E
paramos de súbito na estrada
Da vida:// longos
anos, presa à minha
A tua mão, // a
vista deslumbrada
Tive da luz que teu
olhar continha.//
Um Enjambement na nossa vida seria,
hipoteticamente falando, a quebra da monotonia por meio da troca de "versos"
e por versos, entre aspas, subentende-se pessoas. Troca-se pessoas por coisas,
ou até por outras pessoas, quando aquilo que você sente já não é bom o
bastante, confortável o suficiente e prático.
Troca-se pessoas quando o sentimento começa
a aflorar.
Ficar com alguém é bom, excelente na
realidade, nos momentos de felicidade e tesão. Quando o mundo é só sol e o céu
é azul e as nuvens parecem tão distantes como elas realmente são. Quando os
sorrisos são claros, os cabelos bem pintados, os rostos sem marcas nem olheiras
e os joelhos sem fadigas. Ficar com alguém ou, até mesmo, amar alguém assim, é
muito fácil. É muito cômodo.
Mas a comodidade e a praticidade não são o
suficiente para ostentar um coração. Por um tempo sim, talvez, mas não para sempre.
O bom mesmo é se entregar, viver na vida do
outro. Amar além, e talvez amar também, os joelhos fadigados e as marcas de
expressões no rosto. Trocar filmes, gravar CDs, emprestar livros, compartilhar
histórias. Rir das qualidades e amar os defetos, não o contrário. Entregar-se a
um sentimento, por mais bobo e infantil que isso pareça. Beijar na chuva e
chorar no dia mais quente do verão. Comer pão amassado e café muito doce e rir
de todas as peripécias que a vida pregar.
Amar de verdade, sentir de verdade, não
pular para o próximo amor para quebrar a monotonia.
Não pule para próximos versos sem antes ter
terminado o primeiro.
Não somos poetas todos os dias, muito menos
parnasianos, menos ainda "Bilacs".
Não façamos enjambements.
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