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domingo, 16 de junho de 2013

Dito e feito

  Poderia dizer todas as coisas que sou eu sem você. Poderia dizer o que todas as pessoas dizem quando vêm que não estamos juntos, e que nunca vamos ficar juntos novamente. Poderia dizer o que as estrelas mostram em relação ao nosso destino.
  Até poderia dizer o quanto eu sinto a falta do seu abraço, dos seus sorrisos e dessa sua maldita armadura que te protege do mundo inteiro. Poderia dizer o que você é por dentro de todo esse aço, a pessoa sorridente e boba que sei que é. E até poderia te dizer que amo suas análises do meu ser, amo quando você diz que a minha rebeldia é dispensável, que minhas dores são pura viadagem e que você sabe que no fundo eu sou a menina meiga que usa vestido com coturno, que lê Romeu e Julieta e que espera na janela alguém que venha falar sobre amor. Eu digo que falar de amor é clichê para parecer mais durona, e você sabe que, no fundo, eu escrevo páginas e mais páginas sobre tal assunto.
  Nem eu nem você temos alguém para culpar quando tudo foi dito e feito.
  Eu desabei de alto demais, eu sei e eu confesso, que tudo o que eu quis ser na vida era ser diferente. Eu até poderia dizer que na nossa vida seguimos por caminhos cheio de encruzilhadas e pedras fora do lugar, poderia dizer que eu fiquei assim porque fui forçada e que a vida me virou no lado avesso e eu vi que esse era meu lado certo.
  Bobagem, bobagem e bobagem.
  Eu espero eles dormirem para poder pegar os cacos de vidros que foram jogados no chão e, nesse meio tempo, eu espero para chorar, chorar até cair. E daí, do nada, você surge como uma placa no meio da neblina, dizendo-me, inconscientemente, claro, que caminho eu devo seguir. Mesmo que tal caminho seja a cama mais quente que eu puder arrumar, ou o copo de água mais gelada que a casa tiver.
  Você sabe que no fundo não passa de uma máscara muito bem feita para guardar tudo. Você sabe que, no fundo, eu também sei que fomos feitos para ficar juntos, que não existe ninguém tão ruim o suficiente para mim no mundo inteiro e ninguém tão meigo para você em toda a história.
 Eu até poderia dizer que eu te amo, como se não fosse visível tudo isso. Até poderia dizer que eu sinto tua falta mais do que qualquer coisa, sinto mais tua falta do que a falta que eu sinto de quem eu era, até poderia dizer que, fora tudo o mais, eu só penso em você. Até poderia dizer, como se você não soubesse tudo isso.
  Poderia dizer que a nossa história não terminou nos copos de Whisky não bebidos e nas festas que não fomos. Que nossa história não terminou nas milhões de brigas, nos milhões de tropeços e nas milhões de vezes que meus joelhos vacilaram ao te ver. Poderia dizer que nossa história não acabou quando eu disse que não amo ninguém no momento, que eu odeio o mundo inteiro.
  Poderia dizer tudo isso em uma grande faixa que estaria presa à calda de um bimotor.
  Mas não há nenhum bimotor que aguente quando tudo foi dito e feito.

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