Tinha um menino perto de mim, que sempre ia ver meus musicais mal acabados naqueles teatros "meia boca". E sempre vinha dizer como eu era uma boa atriz. Nao sei de onde ele veio, eu nunca o convidei. Mas ele tinha um jeito diferente, deveriam ser os cabelos ruivos, sei la, e o jeito como ele sempre estava naquela mesma cadeira, todas as sextas a noite. Enfim, apaixonar-me por ele foi facil, facil ate demais. Sem todo aquele processo de conquista e tal.
E agora?
Eu viverei minha vida como a mulher de um irlandes, num suburbio meio afastadado da cidade. Em nossa casa o piano vai ocupar toda a sala e nunca teremos dinheiro para tirar o mofo das paredes ou comprar um carro.
Entao eu o ajudarei a entender minhas pautas rabiscadas e ele me ajudara a encaixar os acordes que faltam, e vamos combinar as musicas restantes ouvindo o som da chuva batendo no telhado e entrando pelos buracos do mesmo. Mas nos tinhamos nosso amor para pagar as contas.
Ate que chegara o dia em que seremos descobertos. Ficaremos ricos e compraremos casas nas montanhas para nossos pais, faremos blusas de la para dar nos natais e teremos que aprender como dancar. Mas mesmo assim construiremos nossa casa com nossas proprias maos, lavaremos os nossos proprios tijolos.
Eu vou ter dois meninos, um loirinho e um ruivinho, e Lily, a menina dos cachos laranjas. Enquanto eu penteio suas meleiras, eles jogam bola na esquina e juntos cantaremos ate a noite cair. Tipo a familia do, re, mi.
Aguardo ansiosamente o dia que comecarei a fazer musicais nesses teatros "meia boca".
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